sábado, 27 de novembro de 2010

eu tenho sido censurado
pelo meu espírito,
por uma luz quente que invade o quarto
a janela velha, o vidro velho
tão novo
eu tenho sido censurado pelo galho de árvore que posso ver
deitado na cama
é tão verde que eu quase não acredito
então me levanto e toco as folhas
olho em volta, sinto o ar entrando no peito
nenhum silêncio é páreo pra mim
à partir dessa primeira censura do espírito ao facto de
eu estar atado a cama
eu já não me permito maldizer
abro os ouvidos ainda mais, ouço cada nota de carro passando
como se fossem nunca passar novamente,
não daquela forma
ali, de imediato, uma percepção diferente
eu estou encantado com minha própria existência,
e com a sua também
meu sangue está limpo, do jeito que nasci
a cabeça está com um buraco onde as sondas de luz chegam
diretamente do teu sonho
pra mim

tanta coisa me vem a cabeça quando eu passo na tua rua.

4 comentários:

Katyussa Veiga disse...

é que silêncio bemolizado aperta o peito até a dor encostar nas costelas

fochesatto disse...

uma dízima de aleluias.

Sabrina disse...

fantasmas descumprem leis como quem enterra o próprio subsolo no quintal

Salamandra Malandra disse...

sic.
sick.
seek.
& destroy.