terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Águas de Março
de quando não se pode ter.
Roubado de Luciana Bonfim
dançávamos pela praça. descompassados rotos e tristes. não éramos mais os mesmos. nem aqueles. eu tinha te visto um copo ou outro. e desde dali te vi em mim. sim. você me participava. eu usava um vestido verde. você me seguiu com os olhos e eu era deles. naquele dia fui condenada a esta urgência de você. minhas mãos suavam numa sala de cinema. eu. de novo. uma menina diante de um deus. você me contou que amava uma moça. eu te contei que não tinha mais coração. você riu. como se soubesse a minha angústia. entendesse a minha mentira. as coisas não nos acontecem. e ainda existe um demônio delirante de asas abertas entre nós. aflora as ventas. estufa o peito de senões. cospe gelo. certos dias dorme. sai por ai. então. somos de novo.
eu te quero tanto homem. te venero a pele alva. as pequenas mãos. o tatear manso. o anoitecer dos olhos insones. sempre prontos pra ir embora. o alinhamento exato de seus ângulos e planos. o riso surpreso. que um pouco antes de acontecer sabemos que iremos dar. e todo resto que deixo comigo.
só tenho verdadeiramente. a busca dolorosa por seu olhar. o pedido desesperado em meus poros. a teimosia de meus pés. essa dor pungente.
só que existe. ainda.
sua total ignorância dos movimentos meus.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
.casa vazia.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
***O sexo é uma forma de consistir o corpo nele mesmo.
Pensar com os poros, dialogar com a cadeia de células que é o corpo do outro. Uma conversa virtual entre células. É o surrealismo acontecendo longe dos olhos.
***O surrealismo está chegando. E ele vem belo, imenso, bem-humorado e levemente sarcástico, como um amante ideal.
Que derretam os relógios!
