terça-feira, 29 de setembro de 2009

ao chegar, completamente alcoolizado, pensei nela. pensei que nunca havíamos nos visto, embora trocado poucas sobre o vento. da última vez falamos sobre as metáforas demasiadas, uma simples forma (nossa) de fugir da realidade. enfim, após horas em pé, sentei-me e vi o bilhete:

amarrei cinco sorrisos e sai em disparada. parei no meio do caminho. fui a uma casa proxima perto. com peixes de garrafa pet e violas elétricas penduradas na piscina. meu olhar ficou mais longo. guardo então o pequeno encontro amarelo para a plástica de colagens e chuvas de guarda-chuvas. te tenho.

s. g.


ri.

nunca havíamos nos tido antes. nem em versos. aí então de súbito me veio uma memória e arrepiei os pêlos dos braços. naquele momento lembrei que foi nela que pensei quando entrei em casa, na escuridão. havíamos ido beber, julio y yo, no bar do neves, e ali nas redondezas senti teus ares, senti uma dor intensa que não durava mais que seu sorriso desconcertante - mas não entendi. acho que ambos concordaríamos que o não entendimento era o mais conveniente por agora, por ali, pelo bar do neves, pelo o que não aconteceu naquele dia que nos olhamos na praça de universidade. eu acho que nunca entendi. sobre suas palavras, creio não ter muito o que comentar. elas falam por si. um dia, quem sabe, nos olhares nos olhos novamente.

escrevi no papel branco

- carta resposta para s.g.

ao pouco que falamos; dádiva. vi teus olhos brilharem nalgumas noites perdidas entre um continente e outro. te imaginei em carros sem fim, lotados de gente e esperanças rotas. nesses sonhos vi tua silhueta deslocada em cada cinto de segurança, vi tua anca, vi tua sombra, vi teu penar, vi tua alma inteira perdida na redenção de teu próprio corpo diante do descanso mínimo. acordo sem acreditar a vida ser mais que isso. sinto o tempo passar; estamos velhos. te carrego.

(então guardei a folha na gaveta e adormeci).

2 comentários:

Sabrina Gahyva disse...

e deixa as duas pernas caírem para o mesmo lado.

Katyussa Veiga disse...

é doce, bem doce morrer no mar.