terça-feira, 10 de novembro de 2009


o homem cego
faz noite ao dia
vestindo o véu pesado
de sua agonia
no destino dos céus

do pouco que dizem que fazem
ele carrega o incerto
por entre os medos as grades
tropeça o sonho desperto

agora,
as nuvens caminham e abrem
espaço ao sol ainda dia
redondo na fofura que passa

se movem
soberbas do vento
desenhando espaço cativo
ao azul que enfim
desloca os presságios que haviam
em brilho ardente mais cores, a vista

do homem que ainda pode sorrir
reconfigurando o amarelo da vida

3 comentários:

Sabrina Gahyva disse...

reconfigurar amarelos é como azular dias saturados.lembro-me como se fosse ontem do desejo azul e roxo que derretia aquela parede. e o barulho de crianças invisíveis escovando os dentes, brincando de roda, correndo para o almoço, pequeníssimas [e talvez amarelas] caminhando em círculos pelas fechaduras, cantinhos de parede e pregos que penduram quadros que penduram que penduram

Sabrina Gahyva disse...

digo, desenhos azuis e roxos granola e tangerina, derretendo pelas paredes e sombras de árvore.

Sabrina Gahyva disse...

e não desejando a parede em si. mas umas as outras, cor por cor.