sexta-feira, 9 de abril de 2010

para Alberto Caeiro


Só meu corpo

está contando a vida

a minha alma
é solta e vasta
como a eternidade
de todos os instantes

só meu corpo
há de cansar em carne
e desgastar aos dias

o meu espírito,
curioso e alerta,
é como o olhar aprendiz
a passear pelo novo

meu corpo sabe ser alma e espírito
quando desperta junto à realidade

aos anos, deixo esse corpo
em pó de tempo entre a calma das horas

leve, sem questionamentos,
segue a pouca alma
que soube ser tudo
e não buscar mais nada

3 comentários:

mari dutra disse...

pessoa sorriu no tumulo.

Andarilho disse...

já aqui, minha alma serena o pensamento de deixar meu corpo.. nunca irá acontecer.

Salamandra Malandra disse...

e eu continuo a acreditar somente no vento.
por que ele não me diz nada.
só venta.