sábado, 3 de abril de 2010

[Silêncio]

Um cachorro rompeu o silêncio da rua. [não era daqueles silêncios nobres, de pessoas que não fazem barulho; era o silêncio sujo que os bairros boêmios tem após o amanhecer - apenas um dos bares em funcionamento, àquele horário] O sol alto já denunciava advogados e contadores em seus escritórios. [mas nós não usávamos paletó; copo a copo, desvendávamos os segredos da humanidade, como se fossemos talvez aquele cachorro que rompeu o silêncio da rua. Nunca humanos. preferiríamos para sempre aquela vida de não ter horários, mas paixões; essa vida de choro e riso alternando-se incansavelmente; sequer conhecendo o significado da palavra inércia] Seríamos eternamente livres, como prometemos naquela manhã de agosto - o frio do sul conferindo uma tonalidade rósea, quase inocente, a nossos rostos. Hoje, nostálgico lembrar aquela manhã, há pouco mais, ou pouco menos talvez, de cinco anos. Meu despertador toca antes da hora em que outrora eu dormia. E nós sabemos em silêncio, como o silêncio das ruas boêmias ao amanhecer, como o silêncio rompido daquela manhã fria de agosto, que não há mais tempo para abraçar a vida.

3 comentários:

Katyussa Veiga disse...

volví al sur..

[con su silêncio, con su temor]

pedrinha disse...

não, não diga nada..

Salamandra Malandra disse...

rompi-me em dois sóis.