domingo, 25 de abril de 2010

o professor de vermelhidão

É interessante dizer, antes de tudo, que estávamos em local extremamente fechado. Portas cerradas e paredes ingratas descartavam qualquer possibilidade de amplitude de point of view. Importante informar, também, que valíamos aproximadamente nada na bolsa de valores da época.

Éramos, certamente, a excelência frutada do absoluto descaso aos grandes sucessos. Porém, persistíamos, tentando locar a banca mais evidente da avenida principal enquanto senhoritas passeavam com peludos cachorrinhos pelas calçadas. No fundo, queríamos a elevação do índice de suicídios pela escada de serviço.

Quando tudo aconteceu falavam eles de buracos, doutores escritores, capitais norte-americanas e pactos medicinais. E nós vestíamos camisas vermelhas sobrepostas. Ao invés de calças, calçadas alugadas por cachorrinhos peludos. Recordo-me que fingíamos não saber onde estávamos.
Pensei em sugerir que doássemos nosso sangue para qualquer movimento de resistência pacífica - queria ensinar um pouquinho do que sei, e por isso mesmo dei por mim que não poderia sugerir o que equivalente no seu conto de passarinhos não tem.

Acenei para ver "quão vermelho eram seus lábios curtos e de repente roubar um pouco do batom para meu próprio disfarce".

- tu não vai ver resenhas de livros, dirigidos ao público jovem do Brasil. Para os leitores adultos, faltam um pouquinho de humor.

- leitores ópticos não opinam sobre a moda.

11 comentários:

Katyussa Veiga disse...

seus lábios curtos enrolaram vermelho em minhas falidas retinas



[hoje tristes retinas]

Salamandra Malandra disse...

Olha só: eu não estou só.
Tenho aqui e ali um pouco de vermelho no meu coração, que apesar de ser plástico, sangra groselha. e isso é prova de que sou gente tbém, certo?

pedrinha disse...

acho que vi essa fuga,
dentro do sopro fechado

- o menor silêncio da folha suícida
caída entre os poucos abraços -

fingindo ter para onde ir.

Salamandra Malandra disse...

pedrinha fofinho cade teus textos sobre o fim dos amores amenos?
as folhas sao so folhas...

pedrinha disse...

as folhas são só folhas,
sabe o vento

- que só as toca leve para rodar
um quase destino de pássaro -


enquanto caminham
calados,
lado a lado,

um curto passeio de cores
que beijam o chão.

Sabrina Gahyva disse...

groselhas me gozam as retinas

lú bonfim disse...

fanta-uva
fanta-maçã
fanta-groselha?
huummmm

Burlesca disse...

O riso deflagrou lágrimas de groselhas no olhar de falência convicta

Katyussa Veiga disse...

˚convicta falência de risos múltiplos˚

árvore disse...

nós, aqueles que nasceram em bancos de revistas e diminuiram ao longo do tempo

Katyussa Veiga disse...

nós, que somos gota de pó fresco