quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Circulação [de coisa que escorre]


(Viagens que suprimiram e condensaram um conto seu)

A água seguia um trajeto circular a ponto de me circundar
Senti no corpo que um vento pode me deletar as asas e 'Caps Lock' meus cílios. Eles ficam grandes, em caixa alta, assim, amadurecem mais rápido e caem como mangas amarelas, bicadas por seres de asas coladas com superbonder.
Um instinto martelo me tomou e eu quis matar um concreto. Quis triturar até seu osso arquitetado por armações (arâmicas?)
Foi então que me libertei de um tom sépia raquítico
Um ser de rua me intimou e todos esperaram frases
Dei um vintém sujo e me infiltrei num banco
Passando por janelas descortinadas porque haviam sido desencantadas por vândalos, soava um jazz azul. Mas foi na latrina balançante do ônibus que previ que ia chover
Cai no brejo, vida no pântano. É assim que chego ao Hotel Neon
Meu carma é viajar pra dentro de mim e fingir, fugir de mim mesmo
Pseudocronologias
Veio o vento. Y ahora?
Faça nevar. Azar o meu.
Azar que circula por entre a vida como um redemoinho
Circulação.
(Mas o mau agouro escorre?)

4 comentários:

fochesatto disse...

a sua língua - que o cala para -fazer - em outras palavras.

Lidiane disse...

Essas suas palavras é que dão origens a várias outras línguas, mundos...

Sabrina Gahyva disse...

e nunca se esqueça jamais que não é preciso deixar bilhete dizendo que foi almoçar.

Tânia Matos disse...

achei especialmente bonito esse.

meu bem, o redigido será inevitavelmente o que é posterior da noite que passou. embora, entre as linhas, estejam retratos de astros ou zoológicos. o bilhete é o que, na pós-ressaca, tem valor premeditado.