segunda-feira, 3 de agosto de 2009

hombre mirando la multitud

não queria funis onde todos confluíssem. então, começou a cavar um rio em torno da plaza mayor. fazia buracos com as mãos, arrancava o asfalto com os dentes.
para não parar para o almoço, engulia porções de terra com pressa de quem tem fome.
com as unhas sujas de frustrações coletivas, adquiriu em si um litoral de promessas.
entrou em guerra contra sua própria lentidão de concreto.
no arrastar dos dias, viu sua carne mudando de cor, fundido em ocres e castanhos.
seu peito derretia, despencando, queimando, [deformando seus pés].
a secura de suas mãos atrofiava seus movimentos cansados de ingratidão.
antes da primeira chuva cair, deixou de ser visto.
desaparecera. em seu próprio sertão.

3 comentários:

fochesatto disse...

je t'aime, j'ai entendu, la mer.

Sabrina Gahyva disse...

e eu o achei maior do que de costume.

Sabrina Gahyva disse...

ou sou eu menor.