quarta-feira, 3 de junho de 2009

Curinga

Quando nasci um anjo bobo
desses que parecem curinga
contou uma piada pra mim.
Como tivesse tomado pinga
achei ela muito engraçada
e repeti a galhofa sem fim.

Me ensinou com toda franqueza
que toda piada é a mesma,
só muda a sua toada,
a roupa lhe dá personagem
mas esconde sua alma pelada
de verdade gostosa e gozada.

Trata-se da veste do bobo
que pisa por vezes no fogo,
malabares com certa ferrugem,
toma quedas, silvos de escárnio.
Todo bobo é um funcionário,
com crachá, horário e salário:
advogado e promotor do demônio,
comandante geral dos hormônios.

O jocoso não arrependido
é tudo menos fingido...
eis refúgio secreto do cômico
rir à toa de toda ferida
e ofegar de risada a vida
com veneno de rótulo irônico.

Os humores são como marretas
que quebram qualquer gelo,
despedaçam estatuetas.
São raros silêncios singelos,
é a compreensão do bom gosto
com aquele rubor no rosto
de quem recebe o martelo.

Quando nasci um anjo bufão
me ensinou a rimar e então
Como tivera tomado cachaça
não acabou nunca a graça
e assim no coreto da praça
fiz vergonha, drama e troça
p'ra chamar atenção da moça
p'ra este bobo que só rima
e faz corte a quem não ama.

Um comentário:

Sabrina Gahyva disse...

também vou até o fim. digo, quando não há fuga de contato. sabecomé?