sábado, 22 de março de 2008


Una vez, Goga me disse: Alguns dias doem mais que outros. Hoje foi um dia de recordações. Ao acordar, constatei a data santa. Imediatamente lembrei-me dos Cerrados e de quando comemos pastéis envenenados de carne na quaresma (D. Fochesatto delatou tal episódio em seus escritos) numa espelunca voltando da propriedade dos Botello. Era o último dia, o último suspiro da quaresma. Antes, vimos árvores de garrafas de cerveja, assassinamos um sapo (isso realmente ocorreu) colocando-o numa arapuca e arremessando uma pedra de dois quilos sobre sua cabeça. Lembrei-me de Pardal, e suas mãos que se encaixam nas de qualquer um que entenda os sânscritos de Dioi. Lembrei-me de Dioi. No fim do dia, tomei um bourbon sozinho, de frente do pro oceano. Não me senti pequeno, pelo contrário, me senti grande pra cacete. Porque eu senti, assim, de verdade mesmo, que carregava toda a fita, todo o lance, toda a vivaldice, todo o pixotismo exacerbado de todos com quem trombei nos últimos dias. Foram muitos, foram insanos, foram únicos, foram loucos de morder os próprios dentes, sem os dentes (como caldos de mocotó - sem mocotó).


-pausa-



Vallegrand,

o que me leva até você é o que me leva ao desmedido,
até a falcatrua nata da minha alma diante da sua
adiante.

o que me leva até você é o que me leva puro,
até a crua verdade. frio, cru, você nunca fica nu?
adiante

Vallegrand,

quando é cedo demais para nascermos de novo
quando você envelheceu
e eu nem pude fazê-lo.

minha palavra favorita que não me ensinaram na escola
queria dizer
o mesmo que eu,
e eram
folhas secas

adiante.

3 comentários:

Katyussa Veiga disse...

nos meus dias que doem mais, batuco cartola. numa semente seca de Flamboyam que encontro no chão

Sabrina Gahyva disse...

this is not a love song

fochesatto disse...

é assim que constroem os hinos nacionais.