quarta-feira, 9 de julho de 2008
domingo, 6 de julho de 2008
desenhei pontos de fulga no embaçado da janela do carro enquanto voltava para a casa de sobre nome modesto.// as histórias do rolar na lama e do chá de lírios-copo-de-leite tinham exato trazido o vento e cócegas pertinentes ao trecho do veneno, de mais cedo. //eram meus dedos brincando de colocar memória nos olhos// minhas unhas, passearam molhadas sobre a paisagem desfocada, como se nosso lirismo escorregasse na minha falta de mãe./ minhas mãos tomavam banho naquela ameaça de chuva-excessso-pulmões acumulados em ambiente fechado.// o vapor, escorria-me pelos braços correndo em gotículas, entrando de baixo da manga esquerda.// senti a cor da fruta inteira desretinando minhas sombrancelhas por fazer. //
tive vontade de te enxugar.
- imagem: quase ossos ingleses, em Plymouth MA.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Devaneios
Perambulava pela solidão, como quem deseja eternizar a efemeridade das lembranças angustiantes. Mortas, mas ainda mornas. Lamentos já não devolviam a dignidade dos sonhos, que um dia foram mais que alucinações. Só restaram desejos, mas fugazes demais, e livres de resistência, eles também quiseram partir.
Olhando para os respingos de sol que entravam pelas frestas da janela fechada e tocavam o teto sombreado, apenas um pensamento inevitável reluzia dentro do coração. Por que não está chovendo agora? As gotas de precipitação lembravam as lágrimas sempre precipitadas, e davam sentido àquela existência solitária. Não, não era trágico. Estava resignado a seu destino cintilante de uma realização sempre adiada. Seus devaneios tinham sentido.
Tentava ludibriar a si mesmo, mas no fundo sabia. No próximo minuto seu peito seria invadido mais uma vez pelo desespero da espera que nunca chega ao fim.
Olhando para os respingos de sol que entravam pelas frestas da janela fechada e tocavam o teto sombreado, apenas um pensamento inevitável reluzia dentro do coração. Por que não está chovendo agora? As gotas de precipitação lembravam as lágrimas sempre precipitadas, e davam sentido àquela existência solitária. Não, não era trágico. Estava resignado a seu destino cintilante de uma realização sempre adiada. Seus devaneios tinham sentido.
Tentava ludibriar a si mesmo, mas no fundo sabia. No próximo minuto seu peito seria invadido mais uma vez pelo desespero da espera que nunca chega ao fim.
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