terça-feira, 23 de agosto de 2011

Meo Benjamin,

De fato nunca mais achei minhas chaves. Nem no abacateiro, nem no tal ninho de sabiá. Tudo bem. Tô morando fora desde então. Entre meus seios guardei o Japamala, o bilhete e a discografia do Belle and Sebastian. O você que eu amo continuo não tirando de mim nem pra tomar banho. Na minha nuca escrevi aquele seu poema favorito (que é preu sempre olhar pratrás e sorrir.)

- Me fode!
- Assim?

domingo, 14 de agosto de 2011

A Janela

de Paulo Bomfim


Na parede do mundo abre-se a janela:
Somos paisagem.

O olhar cruzou fronteiras de vidro:
Somos estrangeiros.

A alma navega em barcos de luz:
Somos naufrágio.

Pássaros flutuam na manhã cobalto:
Somos cantiga.

Surge a lua nova em nossa lucidez:
Somos transparência.

Na parede do mundo fecha-se a janela:
Somos a viagem.

terça-feira, 12 de julho de 2011

quando me distraio sob teu silêncio somente esse vento, frio e seco, é capaz de redesenhar o gosto das marcas de sua sede cravada em minha pele

com sorte, ele também congela a lembrança impressa de teu corpo amargo em minha vadia-língua