sexta-feira, 4 de setembro de 2009

nada é perigoso
quando eu aperto meus olhos
nem parou de chover
eu quebrei mais um dente

lá fora as vidas quase pulam o elevado
eu só escuto
bate a gota
fecha a porta
a dor que vem dos próprios
cabelos
desconhece a si mesma

e seus cães não me poderão tocar
não haverá lâmina para joão
ou antônio
cai frio mais um pedaço de ti
sobre a cidade
que acabou de nascer.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Quando você morde minha sombra sinto calafrios na espinha
Me bate um tremor 6 graus na escala richter
Vejo meu mundo desabar
Em claro estado de calamidade pública
Fico desabrigada contando as horas de voltar pra mim
Mas o tempo não melhora e a estimativa é ainda mais catastrófica
Você causa alvoroço
E novamente eu sinto seus dentes me atando a existência
Fico paralisada, paralítica...
sou uma sem-teto, sem-reação
Eu assim desolada, uma sem-endereço, sem-futuro
Preciso de você para reconstruir meu mundo
Para falar que a minha dor é legítima
Se você vai me doar roupas, comida e remédios
Por favor, me mande um vestido estampado por margaridas, um baguncinha e um valium
Essa dor vai ter que valium a pena
Vou precisar também de um abrigo para esse frio na espinha
Melhor, de um guarda-sombras pra eu me precaver desses seus caninos amarelos de café, cigarros e de sorrisos cerrados