domingo, 23 de abril de 2017

Voltando ao subsolo senti (at the same time) estar voltando pro meu velho continente.
Onde minha pele se ajoelha.
E onde (desconfio) minha mente nasceu.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

vertigens de outro verão



“Percebi que cada célula do meu corpo, cada manifestação do meu espírito carregava um anseio de união. Não era uma questão de imaginar elos, e sim de perceber os elos que já existiam: eu estava unido a vida e unido a morte, unido ao tempo e unido a eternidade, unido aos meus limites e unido ao infinito, unido a terra e unido as estrelas. Unido aos meus pais, aos meus avos, aos meus ancestrais, unido aos meus filhos, aos meus netos, a minha descendência futura, unido a cada animal, a cada planta, a cada ser consciente. Unido a todas as formas de matéria, eu era lodo, diamante, ouro, chumbo, lava, pedra, nuvem, onda magnética, descarga elétrica, furacão, oceano, pluma. Unido ao humano, unido ao divino. Ancorado no presente, unido ao passado e ao futuro. Ancorado na obscuridade, unido a luz. Atado a dor, unido a euforia delirante da vida eterna.”
(Alejandro Jodorowsky, a dança da realidade, p 72)


manuscritos de um verão de 2013


Tenho sofrido de vertigens. Vertigens profundas. A batida de um Amor assim, absoluto.
Caminho embalada por uma sinfonia que não me abandona, sinto vibrar o meio de meu peito a cada nota, a cada toque de um piano uma dor de suspirar e respirar lá fundo.
Já não consigo me ater as coisas sérias desta vida. Caminho a escutar esta melodia brilhando a cada encontro. Passos me levam flutuante e imersa em tudo que se apresenta. E são tantas formas, tantos desenhos e sentires do Ser. A cidade imersa em seu movimento de vida e destinos, e eu me encaminho, extasiada ao som das cores que nossos olhos compartilham.
Já não escrevo com razão, já não há medida e linha para a tinta que escorre. Transcorro sonhos com a fome de que meu delírio possa nos alcançar e nutrir uma dança.
Em cada nota do piano, vamos lançar nossos corpos diluídos, sem fronteiras de levada. No compasso delicado, sonho viva mais esta dança. Poder mergulhar em um horizonte compartilhado, saltar os labirintos das esquinas que nos cercam para sorrir nosso silêncio encontrado. E neste instante deslocado de tempo futuro e destino, alcanço a tua mão e me levas devagar.
Já não respiramos.
No auge do suspiro mais solto, meu peito abre-se a despir-se de tudo que achava ser. Estou pequenina, sou pluma no raio de sol de clara iris selvagem. Perco a linguagem e canto os pássaros além das janelas. Meu corpo desconhece o medo que requer segurança. Confio na montanha da melodia renascida e contemplo o Ser que se desloca inteiro a voar toda paisagem.
Estou completamente perdida e deliro pianos.
Minhas raízes aprendem a pisar pela primeira vez a sutileza eterna das pedras. Na imensidão azul, marés naufragam canoas adormecidas sob o apogeu dourado do grande espelho.
Estendo minha pele junto a árvore tranquila, cajús floreiam suas alegrias e nos convidam a ondular estrelas cores e espectros na película do infinito.
Despertamos juntos ao desfalecer de seus tons de céu. Róseo laranja, bailarinos. Do outro lado do planeta há um cisco de ilha que te encantou em Alma e Vento.
Sem peso, sem molde, sem idade, inflexível, na pintura que amanhece seus pés acham areia até o meio do oceano. Bordadas ondas acompanham seu soltar de penas e esplendor. 
Dourado fogo sobe calor e tinta, a graça dos olhos que podem agora te encontrar. Lentamente acompanha esta levada integrada, e vem tecendo a razão do que aqui não sabe mais no mar.

Pouso minha presença na Arte que se revela.

Vertigem

Sou absoluta

A Poesia inteira dos dias

Somos Liberdade sem nomes

A sinfonia profunda do piano navegando o sonho de Amar

sábado, 25 de janeiro de 2014

Sobre milhas alfandegárias e litorâneas: trata-se de verdadeira rara(idade) do mercado de cometas transitórios. 

Ex: quero transitar até mim. 




quarta-feira, 18 de abril de 2012

Meo Eucípedes,

Existem alguns tipos de honestidade. 

Eu tô falando da honestidade de princípios. Ideologia dura e crua. Respeito ao próximo; amor aos indivíduos - separados ou agrupados; exercícios constantes de paciência postura pasta pastel pastelão picolé; paixão por sapo, sapato, salgado, suor; respiração huuuuum uuuuuuuh; alegria de viver! 

Depois de algum tempo derretida mas, também, incubada, percebi que só estou indo (indo, indo,   indo,     indo,     (índio) pra longe justamente d'que eu sinto saudades.

- Mas do que estávamos falando mesmo?

((desestampei))

Não to sentindo absolutamentenadacontrário a uns desenhos de VENT  I   L A R.
Passarinho. 

Piu^




sábado, 31 de março de 2012

suppa suppa fuckin' hero



Ohlala you're my superstar
Ohlala love the way that you are
Ohlala you're my superstar
Ohlala that's what you are

I'm your biggest fan, it's true
Hopelessly attracted to you
You can have the key to my #$%¨*
I'll play you a song on my guitar
- quer dizer que você voltou?
- voltei. mas entenda: eu n.ã.o sou uma garrafa!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

for e.e. cummings’ roots of Love


take my Love as a safe secret(we will never fall, 
my dear, i will always keep you near)
and if your heart fears more than trust,
watch out, 
Love,
it’s such a rare, rare thing to find,
to feel it so deep and tight, 
look into my eyes,(dive in my soul
inside my chest there’s a precious garden
with ancient trees colorful flowers wild horses pure rivers free birds and it’s all for you, 
all for you, my dear)
we shall always be truthful,
we must never pretend a thing,
Love, 
lean on me your sweet heart (take mine as a warm home, 
we will always live there,
in the beat of all feelings, 
in the heat of endless care
we'll grow and dance and shine 
brighter days, new joy, so kind)

take my Love as a safe ride (we will never fall, 
my dear, i will always keep you near) 



terça-feira, 8 de novembro de 2011

sobre Uma faca só lâmina (ou serventia das ideias fixas)
de João Cabral de Melo Neto





sexta-feira, 4 de novembro de 2011




Hold my hand, my heart is a missing plane
it flies away, babe
it fears not to stay
longer, a spring will bloom and fade


(to blossom dreams in colors, life in days)


I want you to know
it doesn't really matter what they say


Hold me tight, our love is a safe bay


I've sailed night and day
it felt dark and cold, just to say
but there was you, dear
a clear sky above my way


(blue as the sea, when it smiles and waves away)


You've been lost, babe, I can tell
your eyes 'came pale, your voice so gray
but now it's all changed, babe, we've flown and made
take my word when I say, I'm here to stay


Hold my hand, love, together we must leave this shade





sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Empirismo didático sobre o que a imaginação julga ser necessário para uma pesquisa bibliográfica sem excessivos sentimentos

Anda, amplia essa polaroid e me cria um ditongo nasal entre teus lábios. Vês como tudo parece embaçado, como tudo ao nosso redor soa míope? No tempo em que éramos gigantes, que éramos grandes o suficiente para esmagar quem nos ofuscasse o caminho... Ah! Naquele tempo as cousas eram diferentes, e talvez por isso sofras com essa distância, com esse hiato. Nossa língua precisa de uma reforma, e precisa disso com urgência – com acentos, com sons graves, com onomatopéias, com metáforas e poucos simulacros. Deixa de lado o romantismo, as flores e aquelas palavras melosas. Deixa de lado as melodias mais bonitas. Gritemos! Urremos! E se nossos contratempos te confundem é porque já não estás no mesmo ritmo, na mesma linha de pesquisa: teu objeto, é preciso admitir, já por outra pessoa vem sendo pesquisado – com mais afinco e dedicação até. Em algum momento nossas bibliografias não bateram. Faltou correção, concordas? Aliás, nossas referências estavam erradas. No fundo, acredito, estavam certas, mas usamos edições diferentes. Apenas isso, e este apenas deve vir craseado e com uma ínfima nota de rodapé. Quem sabe sejas proparoxítona demais para mim, ou eu te seja demasiado pretérito. Vai saber... Conjuga comigo aquele encanto que nos idiotizava, por favor: eu te gosto, tu me gostas... É ridículo, eu sei. Mas e quem não é? Até mulheres sem orifícios muitos aí amam, sabias? E se estamos hoje tão rudes um com o outro é porque ela sumiu com nossos sentimentos. Simplesmente sumiu e nos deixou assim, órfãos de pai e mãe, de felicidade e dor, de prazer e desgosto. Talvez tenhamos nos precipitado um pouco com toda aquela paciência pueril. Talvez tenhamos justificado com muitos se todas as nossas frustrações. Talvez e talvez, meu bem. O fato é que hoje estamos ruços, e nossos matizes - aqueles tão bonitos que tatuamos em nós quando da bebedeira regada a pornografias comportadas; nossos matizes hoje são ponto e vírgula desnecessários nessa oração ímpia e murcha de . Nossas pequenas rusgas devem ser postas de lado, enviadas numa carta endereçada a ninguém. Será apenas um exercício de saudade. Quando verificarem que falta algo no remetente, encontraremos o nosso próprio endereço - e leremos juntos as informações dispostas no verso que justificam o esvanecimento da nossa polaroid.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

.oito ou nove horas.


.abri meu peito a ti, moça. você estava dentro pulando e ecoando. sangrei bonito. coloquei o meu melhor batom. viste? fundi meu pensamento. minhas ideias queimaram, sublimaram em fumaça-palavras. senti medo, confesso. mas hoje, aberto, vejo que me afobei. estou sem ar. ecoas em mim, mas sinto que o som vai morrer. vou ficar surdo por ti.


domingo, 2 de outubro de 2011

Confesso que sobrevivi

Seus estilhaços continuam me cortando a carne.
Mantive minha nuca ajoelhada o quanto pude.
Todavia, meu ventre não cabe mais naquele sub-sólido. O peito nômade que você conheceu se separou de mim no mesmo dia do nosso último encontro, na escrivaninha do 16º andar.


"Se Deus não existe, tudo é permitido?"

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Uma criatura Dócil


"Os condenados à morte, dizem que eles dormem profundamente na última noite."



                                                     ( Dostoiévski, dançarina do Congo no dia seguinte, Vila Bela da Santíssima Trindade/MT )