E se os want-want da wall-mart continuarem a se conter diante da maxima de que todos devemos propagar o mantra do ‘be yourself is all that you can do’, eu nao lhes pago mais propina. De certo terei a Camara dos Mais Disputados na minha cola, tal sera a afronta.
Mas veja so o que eu noo vejo: se eles podem rabiscar papeis e dizer que aqueles garranchos sao suas assinaturas, e que eu devo viver por elas e para elas, e devo cumpri-las, prefiro ser feliz ao seu lado.
Poderemos correr pelos corredores dos megamercados e derrubar os sucrilhos das gondolas; quebrar TV's de plasma com bastoes de cera; cuspir nos salames e dormir entre as bolachinhas tortillas. Andar de toboga ao inves de carro, decorar palavrões como bobo, besta, bosta e sorrir de nos mesmos em fronte a igrejas apoliticas.
Basta que nos afastemos das pautas e daqueles que sao alguma coisa na ordem do dia. Eu vejo um futuro brilhante diante do nosso imaculado horizonte. Vamos pegar aquela esquina vertical com a qual sempre sonhamos e vamos dar no pe, rasgando todas as terceiras vias.
Deixe as canetas e as anotaçoes de lado. De me sua mamao.
sei que é passada ultrapassada a hora e o minuto da diagramação das notícias furadas.
porém, convenhamos. seu requerimento geneticamente modificado ficou entalado no meu ponto de vista.
aí pensei em dizer algo como: vamos escrever um contexto com textos?
mas lembrei-me que gosto de polainas geométricas de fárias, fárias coures, e você, das asfálticas cinzéticas.
então, venho por meio desta, e daquela de outrora, declarar todo meu imposto de renda.
imobiliários e auto-motivos, conforme exige a lei municipal.
juro que prometo emitir seu boleto assim que a justiça federal desbloquear meu telefone.
ah, aproveito também para pedir vistas grossas de processos de perdas, ganhos e danos de relações que envolvam menos de 1 trilhão de habitantes.
espero que a viagem por entre os fanáticos tubos de lavar roupas tenham mesmo te levado até os bolsos da esquina.
remember: quando mirar um want-want fazendo pose em fios elétricos tétricos, não hesite: derrube-o com uma chinelada certeira. - e por favor, segure meu espirro enquanto teço uma actorável manta.
Há muito que este corpo caminha envolto em fiapos de solidão. E é sozinho que o mergulho na água gelada que jorra das veias mortas que atravessam o Norte dos meus sentidos. Sozinho que vou emergindo, e sinto-me despertar com o corpo trespassado de frio e água. Sozinho que abro os olhos e vejo-te assim. Apenas tu. Diante de mim. Avançam os dias e os meses e a solidão desfaz-se com os ventos que sopram do sopro do vinho seco. Derrete-se com o calor do teu corpo, junto ao meu, quando te aperto nos meus braços. E embriagado por esta sensação de que te tenho e cuido, com o travo na boca ao sabor cálido do café que tomamos nas manhãs de chuva, abro os dedos. E sem dar conta deixo-o partir. A solidão fez-se música. E perdeu-se no céu entre os últimos acordes do passado.
Bebíamos da mesma fonte escassa, afinal, tínhamos nascido do mesmo ventre magro e estreito que aquela sequência de atalhos formava. Falávamos baixo e íamos diminuindo na medida de acabamento de frase. O único rio [que não era rio] só enchia quando chovia, e quando chovia, e enchia, servia pra palavra, pa lavá pabanho pagole panado e pa nada. - Se nos espremêssemos bem cabíamos na mesma gaveta. - Não me meça com a sua régua! - Que farsa éramos quando separados.
.teus seios inda estão nas minhas mãos, me explica com que cara eu vou sair...
domingo, 18 de outubro de 2009
o próximo passo é chorar. é quase impossível viver como pedra. eu sou mulher, vivo de crises e me arrebento todinha. incrível mania de sabotar tudo o que me faria bem. hoje me disseram que a beleza intimida. eu digo que é uma puta, porque até agora só fiquei com o dinheiro prostituído de noites mal vividas e fodas, no mínimo, suportáveis. digo mais, tudo isso cheira dor. a questão é: porque me simpatizo com qualquer pessoa que me dê o mínimo de atenção ? mas é só acariciar a mão que saio correndo feito pateta. é tudo tão down. lembro sim dizer que estaria pronta para o amor e suas problemáticas, eu sempre falo que prefiro dar cara a tapa, mas na verdade nunca dou. sempre quero que as coisas aconteçam, mas nunca as deixo acontecer. então olha você: eu acho que consigo suportar, falando sério, eu só quero. estou me sentindo tão sensível ao tato que qualquer um que pegasse me desmontaria por inteira. acho que mereço um pouco de carinho, pelo menos uma vez na vida - vidinha de droga - cansei dos meus vícios. eu nunca matei alguém. preciso viver algo antes de me arruinar e o pior é que já tentei de tudo, cara. fiz yoga demais, li the secret até o fim, parei de comer carne vermelha e até fui procurar Deus. levantei a pedra e não tinha nada embaixo. já disse que estou por um fio? pois é, pela primeira vez me reconheço. articulada, tirana, egoísta, bêbada, usurpadora, solitária, ultrajante e deprimida. everyone is a fucking Napolean, and I deeply know.
Passaram-se pouco mais de dois minutos do filme quando suspendi meu desejo de assisti-lo, assumindo, por higiene, a curiosidade da minha própria ancestralidade amorosa. Enfiei o dedo no furo da perna – era bom deixar o indicador entrar ali e se sentir uma sonda exploradora com tique nervoso –, corri para o quarto e vasculhei suas gavetas falantes. Amarrado em volta da folha, o cachecol feito à mão exalava sua tristeza delicada. Encontrei a carta que minha mãe escrevera depois de abandonar o doutor. Apesar de não estar assinada ou datada, eu não tinha dúvidas quanto a sua autoria e sua localização na linha do tempo. (O conhecimento adquirido pelo sangue familiar transcende a razão sentimental). E aqui, com o cachecol abraçado ao pescoço, transcrevo, portanto, as letras sinuosas daquela montanha com sintomas de erosão ultramarina:
Nasbira, talvez eu tenha pressão alta, mas não adquiri a tendência da ingestão de doces, e respiro pausadamente, quero dizer, quero redizer, quero deixar-te o picolé de uva, a lata de coca-cola, a louça suja, os panos de molho, as roupas no varal, a escova de dente roxa, a grama seca, o bonsai seco, os olhos secos, todo o lixo, tudo para ainda ser feito, a mancha no teto que você tanto cuidou com carinho, os fios de cabelo presos no pente, um grande sapo no quintal de agosto, a tatuagem do sorriso forçado, o intocado bloco de anotações do pequeno príncipe, o frasco de special k que te rejuvenesce, o colar de sementes deteriorando debaixo de sol e chuva, o vidro de pimenta importada que ninguém quer, o pirulito erótico em forma de vagina, o cachecol do país das neves que você nunca me levou, a metade do pacote de salgadinho torrado de arroz com alga marinha, as mentiras ocasionais, as mentiras diárias, as mentiras para encobrir as mentiras que supostamente eram para me fazer bem and a foolproof & colourful therapy.
RPSVP
Às vezes quando há chuva de vento boreste uma goteira invade meu corpo. Como quando leio esta carta. Aquele foi um dia que não vai mais voltar. E eu também não faço questão de que isso aconteça. Prefiro ser a sacola vazia que voa e que é cortada pelo vento amarelo. A areia nos olhos, a lua nos olhos.. Mas eu nunca conheci Nasbira, a amante de minha mãe. Não obstante, conheço estórias a seu respeito. Como quando as duas saíram para dançar country music. Mamãe costumava contar essas coisas para embalar meus pesadelos conubiais. Mamãe tinha muitos truques escondidos no peito, uma vez que nascera em Vallegrand, a cidade do aeroporto, das papelarias e dos travestis, uma vez que ela cavara o buraco que tenho na coxa esquerda. Nunca a conheci. O que registrei a cerca de Nasbira estava comprimido pela moldura daquele quadro abstrato que mamãe apaixonadamente forjava, à noite.
“Foi num domingo... Ou foi no sétimo dia? Um domingo como uma segunda de feriado? Pouco importa. Deite-se que contarei de uma vez. Não, não vou te cobrir. Porque não. Quer fazer o favor de me escutar? Muito bem. Havia aquele menino da cadeira de rodas. Ele era meio torto. Não sei qual doença tinha, o coitado. Acontece que ele grudou em Nasbira. Depois de duas doses, ela já tava alegre. Foi cumprimentar o menino. Ele abriu aquele sorriso e de repente apertou um botão na cadeira e a coisa toda começou a levantar, levantar... Há-há-há. Achei que eu tava louca! O menino meio que ficou em pé, entende? Nasbira dançou com ele só pra fazer uma boa ação. Agora, quando a vê, esse menino não a larga mais. Tá na cara que um dia ela ainda será encontrada morta como Elliott Smith.”
Nem tudo que ela dizia parecia verdade. Não raro, nada era. Exceto o sentimento. O ciúme, no caso. O resto costumava ser criado por sua mente embotada que não sabia quais implicações aqueles elogios causariam em mim, pobre jovem hermafrodita.
“...Pediu o telefone dela... Disse que quer conversar, acredita? No mínimo ele vai tentar cantar a música que dançaram juntos. ‘If you were an ocean, I’d learn to float. All I want is you e blá, blá, blá’. Por Deus! Nasbira, a minha princesa do deserto, mal entende o que esse deficiente atrevido fala. Eu também mal entendo! É verdade, te juro. Ele não saiu da cadeira de roda, mas a cadeira levantou... E ele meio que a abraçou... E mexia só o ombro... Ah, eu fiquei tão feliz... Acho que foi a primeira vez que o menino dançou ou tentou... Nasbira ali tão... Tão ela.”
Dois podem jogar esse jogo – jogo de um. Entretanto, em três não se joga melhor que só. Por sua vez, essa estória seria suficiente para fazer de Nasbira a próxima Miss Universo. A pure person. In the Snow. Last pure person in the snow.
A mesa que me encontrava estava marcada de unhas de tanto tamborilar os dedos na tentativa de encontrar uma saída do calabouço onde a pedra do devaneio cai e ninguém ouve, lá onde são exibidos os filmes que eu gostaria de ter assistido com você e que, admiravelmente sozinho, volto para ver o final.
(Viagens que suprimiram e condensaram um conto seu)
A água seguia um trajeto circular a ponto de me circundar Senti no corpo que um vento pode me deletar as asas e 'Caps Lock' meus cílios. Eles ficam grandes, em caixa alta, assim, amadurecem mais rápido e caem como mangas amarelas, bicadas por seres de asas coladas com superbonder. Um instinto martelo me tomou e eu quis matar um concreto. Quis triturar até seu osso arquitetado por armações (arâmicas?) Foi então que me libertei de um tom sépia raquítico Um ser de rua me intimou e todos esperaram frases Dei um vintém sujo e me infiltrei num banco Passando por janelas descortinadas porque haviam sido desencantadas por vândalos, soava um jazz azul. Mas foi na latrina balançante do ônibus que previ que ia chover Cai no brejo, vida no pântano. É assim que chego ao Hotel Neon Meu carma é viajar pra dentro de mim e fingir, fugir de mim mesmo Pseudocronologias Veio o vento. Y ahora? Faça nevar. Azar o meu. Azar que circula por entre a vida como um redemoinho Circulação. (Mas o mau agouro escorre?)
De retina suada e alma alvejada por projéteis eletrônicos, enguli os pacotes governamentais como se fossem feriado de manhã. Enforquei a sintaxe com coleira de fio dental e repeti passo a passo do disse me disse dos vegetais. Fiz que reconhecia a pontuação pálida fúnebre e sorri cerrado quando ele me reticenciou. Num desacato do tempo, peguei a pena que va g a r o s a mente caía e num movimento angular dei espirro para a parede que se alongava em mim. Sem nó, nem piedade fiz carinho nos tijolos que erguiam ocas e páginas vazias. Para fingir que eu também mentia afiei os dentes num tango de língua e saliva marinada. - vamo voa?
tu canción se hace amarga en la sal del recuerdo.']
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Abrimos a manhã no supetão de um beijo e o dia não estalou. Há tempos vinha confundindo tristeza com medo e meus olhos pesavam um kilo de ardência, feito vento de maio secando a retina. Foi então que peguei meu passaporte no armário, uns discos ainda fora da capa e o livro do Caio, já bem amassado.
No tatame, pulei teu sono silente e rumei desatino pra rua quebrando mi voz con llanto.
Foi num domingo igual a 45º segunda-feira daquele calendário. O piano chorava e uma voz o acompanhava aos gemidos. Lavando louça eu quebrei o copo. Esmagando sentimentos. Fiquei contando mentalmente a quantidade de sangue florido que escorria e se misturava à água e ao sabão e ao jardim. Imaginei a reação em cadeia dos elementos. Encolerizei-me com os irmãos e, sem maiores dúvidas, com o criador do chapéu mexicano. Se não fosse por uma lágrima amarela e doce que atingira o corte, talvez eu ainda estivesse só, lá, imaginando que... Que quando as coisas vão muito bem é como se elas estivessem dando o último adeus, de partida, se despedindo, porque ao mais singelo solavanco tudo se desalinhará por longo tempo, deus. Foi no mesmo domingo. O hospital me esperava. Conhecendo aqueles corredores como eu conhecia era fácil se perder na mesmice. Ainda assim, tinha de atravessar a porta do consultório dele. Murmurei como uma criança que implora por uma gaita. “Vou me mudar, doutor. Não te amo mais”. No entanto, eu não acreditava numa só palavra daquilo. Só queria o impossível: um novo começo. Parti dali sem olhá-lo nos pés. Prometi a mim mesma que deixaria de amá-lo ao término de seu perfume favorito, cujo frasco trago comigo e borrifo no pescoço antes de dormir e sonhar que somos felizes. (...) As paredes da casa estavam ruindo. Largas rachaduras me atravessavam. Tentava costurá-las, mas linha não encontrava. No bolso, cinco besouros. Moeda corrente. Sonho recorrente. Rio afogado. Me pergunto onde isso teria chegado se eu conseguisse deixar de ficar acordado.